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Mal agudo de montanha - MAM
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Os sintomas do MAM começam a aparecer no intervalo de 6 a 48 horas após uma rápida subida na cota de nível. Aos 2500 metros de altitude algumas pessoas já começam a senti-lo, mas ao chegar próximo dos 3500 metros, praticamente todos os seres humanos são afetados. A gravidade dos sintomas depende da altura atingida, da velocidade da subida e da pré-disposição individual. Os primeiros sintomas se parecem com uma forte ressaca alcoólica; náuseas, vômito, insônia, cansaço e falta de apetite que evolui para uma cefaléia com grande inchaço na face ou até na cabeça inteira. Em geral basta descer uns 500 metros, caprichar na hidratação e ficar em repouso por dois ou três dias, mas se os sintomas não regredirem com estas providências será preciso medicação específica ou até mesmo abortar a expedição.
Os casos mais graves decorrentes do MAM estão relacionados à má distribuição de líquidos no organismo que freqüentemente afetam o cérebro e os pulmões causando os edemas de altura.
A cabeça dolorida e latejando, piorando ao agachar-se, náuseas e vômitos já configuram um princípio de edema. Alterações de equilíbrio, de coordenação motora ou lapsos de memória indicam o Edema Cerebral de Altitude - ECA, que se não tratado imediatamente leva o paciente ao coma seguido de morte.
Apesar de ser considerado uma enfermidade distinta e possuir desenvolvimento diferenciado, o Edema Pulmonar de Altitude - EPA, não deixa de estar associado ao MAM. Num primeiro estágio o paciente apresenta crescente falta de ar durante suas atividades, depois também em repouso e a seguir aparecem as crises de tosse. O catarro com traços crescentes de sangue denunciam os casos extremos que podem levar a morte.
As duas formas de edema podem se apresentar isoladamente ou em conjunto e a primeira providência a se tomar é descer imediatamente para altitudes mais seguras e iniciar o tratamento adequado.
Prevenção
As dores de cabeça e o cansaço indicam o limite de nossa aclimatação, quando se deve parar e esperar por um ou dois dias até os sintomas desaparecerem. Se os sintomas persistirem ou se agravarem nestas 48 horas é necessário descer até a altura onde antes nos sentíamos bem. Evitar dormir durante o dia, não consumir álcool, fumo e soníferos. Boa alimentação em pequenas porções, muito líquido, café e uma atividade física moderada ajudam no processo de aclimatação, mas não são garantias contra o MAM. Para uma escalada segura é fundamental ficar atento e não desprezar os sintomas mais insignificantes.
Diagnóstico de MAM
O MAM é a patologia mais comum e perigosa a que estão expostos os montanhistas e torna-se importantíssimo diagnosticá-la nos estágios iniciais. O método de auto-avaliação Lake Louise é, dentre vários, um dos mais simples. Trata-se de um questionário que relaciona os sintomas a um sistema de pontuação.
Questionário para auto-avaliação
Dor de cabeça
- Inexistente 0
- Leve 1
- Moderada 2
- Forte 3
Sintomas gastrointestinais
- Bom apetite 0
- Pouco apetite ou náuseas 1
- Náuseas moderadas ou vômito 2
- Náuseas ou vômito incontroláveis 3
Fadiga ou debilidade
- Ausência de cansaço 0
- Cansaço ou debilidade leve 1
- Cansaço ou debilidade moderada 2
- Cansaço ou debilidade severa 3
Vertigens ou maresia
- Ausentes 0
- Vertigem leve 1
- Vertigem moderada 2
- Vertigem incapacitante 3
Alterações do sono
- Dorme normalmente 0
- Dificuldade para dormir 1
- Dorme pouco 2
- Não dorme 3
Alterações mentais
- Ausente 0
- Letargia - topor 1
- Desorientação - confuso 2
- Semi-consciência 3
- Coma 4
Orientação ao caminhar
- Caminha normalmente 0
- Caminha cambaleando 1
- Caminha desorientado 2
- Quedas constantes 3
- Não fica em pé 4
Edemas periféricos
- Ausentes 0
- Um edema localizado 1
- Mais de dois edemas localizados 2
Somando todos os pontos se obtém a nota classificatória:
- De 1 a 3 pontos - MAM leve
- De 4 a 6 pontos - MAM moderado
- 7 ou mais pontos - MAM grave
O segundo método indicado por Altamontanha.com é ainda mais simples:
- 1. Se você lembrou do método Lake Louise é porque está com MAM.
- 2. Se conseguiu concluir a somatória é porque não está com MAM.
Tratamento
Descer em altitude é sempre o melhor e mais eficiente tratamento ao MAM e as drogas químicas apenas o complementam ou retardam os sintomas. A acetazolamida, aspirina, metoclopramida, dexametasona e a nifedipina são drogas indispensáveis numa farmácia de alta montanha, mas precisam de supervisão médica para acompanhar seus efeitos indesejáveis e contra-indicações.
As câmaras hiperbáricas são balões estanques onde se instala o paciente para aumentar a pressão atmosférica através da injeção forçada de ar. São muito úteis para os casos leves ou moderados e paliativos nos mais graves onde as melhoras são apenas transitórias para permitir a remoção do paciente até o hospital mais próximo.
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